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Quem é Tuta, chefão do PCC preso na Bolívia, apontado como braço direito de Marcola

O homem foi preso na Bolívia ao tentar renovar um documento em Santa Cruz de La Sierra

Da Redação
DA REDAÇÃO

18/05/2025 • 15:15 • Atualizado em 18/05/2025 • 15:15

Tuta estava foragido desde fevereiro de 2024

Tuta estava foragido desde fevereiro de 2024

Reprodução

Um dos chefões do PCC foi preso na Bolívia ao tentar renovar um documento. Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta, foi detido em Santa Cruz de La Sierra. Ele usava o nome de Maycon Gonçalves da Silva.

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Durante o procedimento, autoridades locais consultaram o sistema internacional de estrangeiros e descobriram que ele estava na lista de procurados da Interpol. A Polícia Federal foi acionada.

Além de duas prisões preventivas decretadas pela Justiça, em 2024 Tuta foi condenado a mais de 12 anos de cadeia por associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Quem é o Tuta do PCC?

Tuta é apontado como substituto de Marcola, no comando do PCC. Marcos estava foragido desde 2021. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apontou Tuta como responsável por movimentar cerca de R$ 1 bilhão para a organização criminosa entre os anos de 2018 e 2019. Ele também é indicado como um dos principais articuladores de um esquema internacional de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC.

Segundo o MP-SP, Tuta sucedeu Marcola como principal liderança e mandatário do PCC. Ele era apontado como a principal liderança da facção fora das cadeias e mantinha contato direto com outros líderes presos, incluindo Marcola. Na operação Sharks, em 2020, o MP indicou que ele era responsável por comandar os integrantes soltos da organização criminosa.

Conforme o promotor Lincoln Gakiya, especialista no enfrentamento ao PCC, em entrevista ao Estadão, a facção espalhou a informação falsa nos últimos anos de que Tuta estava morto. A ideia era que o Ministério Público e a Justiça não o incomodassem durante a elaboração de um plano de fuga para tirar da cadeia Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, que está preso desde 1999 e é a liderança máxima do PCC.

A investigação aponta ainda que Tuta era suspeito de ser responsável pelos planos de fuga de outras lideranças do PCC reclusas em presídios federais, e de liderar os planos para assassinar agentes e autoridades públicas em represália às transferências e ações contra a cúpula da organização.

Ele também teria planejado atentados contra autoridades e era responsável pelo levantamento de endereços dessas pessoas e de policiais. Em setembro de 2020, o nome de Tuta foi envolvido em uma carta de três páginas que denunciava possíveis atentados contra um juiz de Rondônia e funcionários do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) em protesto contra a falta de visitas em presídios federais.

Tuta também tinha carta branca da alta cúpula para gerenciar os negócios da facção, principalmente o tráfico internacional de drogas.

Trabalhou no consulado de Moçambique

Tuta foi adido comercial no Consulado de Moçambique em Minas Gerais entre 2018 e 2019, mesmo procurado pela polícia paulista. Ele recebia um salário de R$ 10 mil mensais, informou o ex-cônsul-honorário da República de Moçambique em Minas Gerais, Deusdete Januário Gonçalves, à Justiça de São Paulo.

A missão de Tuta era indicar ao consulado, a cada dois meses, uma empresa disposta a investir em Moçambique. Para cada contrato, o adido comercial podia receber do governo moçambicano 15% do valor investido pela companhia no país africano. De acordo com Deusdete, o então líder do PCC indicou uma empresa de bateria e outra de lixo, que passaram por uma checagem de idoneidade.

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